Pois hoje vou falar de um conceito da Analise do Comportamento para explicar meu comportamento ontem e hoje. Eh o "behavioral momentum", ou "momentum comportamental". Esse conceito foi desenvolvido pelo Tony Nevin, hoje um velinho gente boa que soh - e uma fonte de conhecimento ambulante, diga-se de passagem. Enfim, o conceito veio da fisica, assim que vou usar o exemplo dele para falar aqui.
Pois pense em um objeto leve e em um outro bem pesado. Sei lah, uma mesa, uma bola, se vira. Agora coloque uma barreira - digamos… uma parede de isopor. Na sua imaginacao, jogue ambos objetos - o leve e o pesado - na parede. A probabilidade serah que o pesado derrubara a tal parede e continuara andando (vamos colocar a mesma forca para ambos, ok?), e que o leve deve ter feito sim um estrago, mas nao tanto quanto o pesado, na parede. Em resumo, o tchans do conceito eh o seguinte: quanto maior a forca de um objeto, maior a probabilidade desse objeto continuar "andando", mesmo depois de sofrer uma interrupcao.
Agora vamos para o comportamento. Ah, nao quero encher o blog de conceitos, mas a ideia na area de comportamento eh o seguinte: se o comportamento tiver "forca", ou seja, uma longa historia ou ele receber varios reforcos por ser emitido, ele continuara, mesmo apos a interrupcao. Nos experimentos, o povo faz assim: ensina pombo a bicar uma chave por um tempo para receber comida (quando eu falo de "bicar chave" nao estou dizendo ser a chave da sua casa. A chave, nesse caso, eh um circulo iluminado em uma das famosas caixas de Skinner). Depois, coloca o comportamento em extincao: o pombo bica e bica e nao recebe comida (calma, nos damos comida para eles depois da sessao, senao matamos o bicho de fome, ne?). O "tchanz" eh: se o comportamento for bem estabelecido, o pombo permanecerah bicando por longo tempo. Se o comportamento nao for tao estabelecido, pombo logo para de bicar.
Ok, nao sou pombo (nem voce), mas todos nos passamos por esse mesmo processo. Se voce tem um comportamento bem estabelecido, a probabilidade dele continuar, mesmo apos ums interrupcao, eh maior comparada a comportamentos nao estabelecidos. Um exemplo que gosto de pensar eh escovar os dentes. Espero que voce tenha estabelecido esse comportamento no seu repertorio: todo dia voce vai e escova seus lindos dentes (sorriso Colgate, nao? rs). Mas ai.. vamos supor que voce foi acampar, saiu de ultima hora e nao levou (tisc tisc) sua escova de dentes. Mesmo apos um dia (ok, voce sobrevive, mas nao sei se a sua companhia sobrevive com seu halito) sem escovar os dentes, ao voltar para casa, voce escova novamente seus dentes naquela velha rotina.
Mas agora pensemos naquela vitamina "X" que voce disse que ia tomar, soh para melhorar a sua saude. Nao eh nada que seu corpo dependa, eh mais para te fazer bem. Ai voce comecou, e apos uma semana, voce vai acampar. Voce esqueceu sua escova de dentes e suas vitaminas (vai ver que a vitamina era para a memoria - rs). Se esse comportamento de tomar vitaminas nao eh bem estabelecido… a probabilidade de voce voltar "a rotina" com as vitaminas depois eh menor, comparada com a probabilidade de voce voltar na rotina com o escovar os dentes.
Ok, os behacas puristas vao ver que esses exemplos, e o proximo, estao cheios de erros conceituais e tais. Mas esse eh um blog de falar coisas, nao necessariamente de ensinar behaviorismo ;o). Mas entao… e o que tudo isso tem a ver comigo??? Rapaiz… porque pensa soh: estou aqui, escrevendo aos montes em portugues, pensando em portugues, falando em portugues. Mas o ingles… que eu preciso para escrever dois resumos para as minhas aulas e um tanto de outra coisa mais estah que doi na cabeca. E sabe por que? Porque esse fim de semana foi uma baita interrupcao: nao li uma pagina de livro em ingles. O diabos de behavior momentum….. (volta ingles, volta!!!!)

AHAHAHA
Ana, isso chama-se inercia da mente! O meu ingles tb piorou muito desde que regressei a Lisboa. Mas pior e falar espanhol o dia inteiro e depois chegar a cama e pegar num livro do Fernando Pessoa e le-lo (mentalmente) com sotaque espanhol DENTRO DA CABECA!!!! ARRGGG! E muito estranha a vida de um poliglota…
beijos
silvia
Comment by Silvia Rosa — February 6, 2007 @ 11:02 pm
Arruma um livro de piadas em inglês pra não mais correr o risco de esquece-lo durante os fins de semana… hehehehehe (na falta de um livro de piada, passa no phd comics hahahahaha)
Não conhecia esse conceito com esse nome. Tá, é a extinção, mas lembrou da minha professora falando de auto-estima e porque adultos em geral aguentam melhor ficar um tempo sem reforço ou sob punição sem ter grande alteração na “auto-estima” enquanto crianças são muito vuneraveis: história de repertório mais bem estabelecido no caso do adulto.
E eu viajando na batata, só pra variar heheheh
beijokas Anitcha!
Comment by _Maga — February 7, 2007 @ 3:40 am
Caros amigos, aproveitando a discussão sobre comportamento, tenho observado nos meus alunos da Faculdade (no Brasil) alguns ’sintomas’ de mudança. A minha idéia é a de que a ‘nova geração’ (aqueles que já nasceram com internet e orkut debutando - imagino aí pessoas com 20 e poucos anos ou menos) - que menifestam o que chamo de BEHAVIORKUT (em uma pesquisa no google não encontre qualquer referência ao termo) - que pode ser traduzido por ‘comportamento de orkut’ ou mesmo ‘geração orkut’: para eles, todo relacionamento social tem as características do orkut ou msn, deletam sempre que alguma inforção incomoda, não respondem acham que não tem conseqüências, as conversas não têm profundidade e acham que todos estão diariamente e normalmente ‘on line’ ou ‘of line’ - quer dizer, não interessa se a pessoa está afim de papo, pois é só mandar uma msg, que irá ‘apagar’ algum fato negativo anterior e a vida segue sem compromisso. Esta é a tônica, a essência deste behaviorkut: relação sem compromisso baseado em mensagens instantâneas que são deletadas quando não compatíveis com o contexto individual (e veja q o verbo é incomodar, não ofender: estas pessoas já não se ofendem ou ficam com raiva, porque ‘deletam’ e pronto). E as conversas com os amigos, as fofocas, são, na maioria das vezes, substituídas por ‘fuçar’ o orkut dos outros. O centro das conversas agora são os recados no orkut dos outros, as comunidades, as fotos. Nada de real, de concreto, de uma vida vivida… tudo virtual… só que algumas coisas só acontecem na realidade e esta realidade exige uma ‘relação real’ ou seja, ‘não-behaviorkutiana’, e o indivíduo não sabe o que é uma ‘relação real’, como fazer uma, quais as exigências (principalmente de compromisso) que o real exige, não têm idéia do que é compartilhar com outras pessoas alguns fatos e atos. Preocupa-me tanto esta geração behaviorkutiana quanto a nossa capacidade de com eles interagir. Fernando Schultz
Comment by Fernando Schultz — September 4, 2007 @ 6:46 pm
Caros amigos, aproveitando a discussão sobre comportamento, tenho observado nos meus alunos da Faculdade (no Brasil) alguns ’sintomas’ de mudança. A minha idéia é a de que a ‘nova geração’ (aqueles que já nasceram com internet e orkut debutando - imagino aí pessoas com 20 e poucos anos ou menos) - que menifestam o que chamo de BEHAVIORKUT (em uma pesquisa no google não encontre qualquer referência ao termo) - que pode ser traduzido por ‘comportamento de orkut’ ou mesmo ‘geração orkut’: para eles, todo relacionamento social tem as características do orkut ou msn, deletam sempre que alguma inforção incomoda, não respondem acham que não tem conseqüências, as conversas não têm profundidade e acham que todos estão diariamente e normalmente ‘on line’ ou ‘of line’ - quer dizer, não interessa se a pessoa está afim de papo, pois é só mandar uma msg, que irá ‘apagar’ algum fato negativo anterior e a vida segue sem compromisso. Esta é a tônica, a essência deste behaviorkut: relação sem compromisso baseado em mensagens instantâneas que são deletadas quando não compatíveis com o contexto individual (e veja q o verbo é incomodar, não ofender: estas pessoas já não se ofendem ou ficam com raiva, porque ‘deletam’ e pronto). E as conversas com os amigos, as fofocas, são, na maioria das vezes, substituídas por ‘fuçar’ o orkut dos outros. O centro das conversas agora são os recados no orkut dos outros, as comunidades, as fotos. Nada de real, de concreto, de uma vida vivida… tudo virtual… só que algumas coisas só acontecem na realidade e esta realidade exige uma ‘relação real’ ou seja, ‘não-behaviorkutiana’, e o indivíduo não sabe o que é uma ‘relação real’, como fazer uma, quais as exigências (principalmente de compromisso) que o real exige, não têm idéia do que é compartilhar com outras pessoas alguns fatos e atos. Preocupa-me tanto esta geração behaviorkutiana quanto a nossa capacidade de com eles interagir. Fernando Schultz
Comment by Fernando Schultz — September 4, 2007 @ 6:46 pm
Pois eh, Fernando.. jah existem pesquisadores preocupados com a influencia do fenomeno da internet nas nossas vidas. Mas o que mais me chamou a atencao foi a sua fala como se as relacoes via orkut nao fossem reais. Eu sei que voce estava se referindo ao mundo virtual (computadores e tals) versus mundo real de interacoes, mas pensemos soh. Interacoes virtuais sao mais “faceis”: se vc nao gosta do sujeito, com um simples clicar poderas “apaga-lo”. Nada mais reforcador! Rapido e logo apos a resposta. E assim vamos nos, clicando as nossas relacoes….
Eh complicado quando voce compara uma relacao “rapida” com um clicar com as relacoes “reais”, onde ha trabalho, conquista, problemas, etc. Sera que as relacoes reais acabam sendo descartaveis em decorrencia da constante exposicao com as relacoes virtuais? E nos, que estamos fazendo para prevenir que sejamos descartaveis?
Comment by Administrator — September 4, 2007 @ 7:02 pm
Você está certos, muitas lacunas conceituais, mas achei ótima a inciciativa. Eu chamaria de Momentum comportamental para inciciantes… ficou bem menos chato do jeito que vc escreveu…
Parabéns
Comment by Felipe Dias — October 9, 2007 @ 6:57 pm
;o) obrigada, Felipe!
Comment by Administrator — October 9, 2007 @ 7:03 pm