jah hoje acordei com essa musica na minha cabeca:
por ceus e mares eu andei, vi um poeta, vi um rei, na esperanca de saber o que eh o amor.
Bencao. E lah vamos nos.
jah hoje acordei com essa musica na minha cabeca:
por ceus e mares eu andei, vi um poeta, vi um rei, na esperanca de saber o que eh o amor.
Bencao. E lah vamos nos.
To de ressaca. Nao de bebida (pelo menos isso seria bom, ne?), mas de emocoes. Af… muitas emocoes. Voces jah sentiram isso? Aquele banho de adrenalina por algum tempo e depois o unico que voce quer eh…. dormir….. e dormir… Soh que ai voce nao consegue, porque o cansaco eh tao grande que… arruma quarto (pelo menos para algo serve o cansaco desse tamanho, ne? hahah), lee e-mails, e deita. Ai, sua cabeca gira a mil por hora e voce diz: "para! Tenho que dormir!". Ha. Ai, sua cabeca parece fazer brincadeiras: ela ateh para de pensar, mas voce … sonha com os acontecimentos! hahahah. Parece ate piada.
Pois ontem dormi. A piada eh que eu dormi mais de uma hora (antes de ontem foi soh uma hora de sono). E hoje… bem… hoje estou de ressaca.
Estou indignada. Puta. Com muita raiva. Olha…. confesso…. preconceito eh algo que doi. Que marca. Que machuca. Que dah vontade de chorar, de gritar, de correr, de ….aarrggggh. E falta de conhecimento, que vai mao a mao com o preconceito, eh outra coisa que dah um nao sei o que no cerebro e na barriga de quem sofre.
Ok, a minha historia nao estah relacionada aos imigrantes. Nao eh sobre as "n" familias que foram deportadas, e que tiveram que chegar no seu pais de origem sem ter onde cair mortas. Nao eh sobre as varias criancas que ficaram aqui sem pais, e correndo o risco de serem "orfas", porque ambos pais foram deportados e entao nao tinha ninguem para ser responsavel por elas. Nem as que estao tentando tirar o passaporte, mas nao podem porque a mae esta no Pais de origem (deportada) e o pai estah na cadeia, esperando a papelada dele ser resolvida. Nem eh sobre o cara que estava trabalhando um dia, tentando ganhar dinheiro para poder comprar o caderno do filho, e que em dois segundos estava na cadeia sendo chamado de cachorro mentiroso. Nem da moca que vendia identidades falsas, mas que achava que estava fazendo o bem para esse tanto de gente que vinha trabalhar para ajudar as suas familias. Nem daquela que estava na borda um dia, querendo conversar com os pais, que estavam no outro lado da borda. Que ela sequer cruzou, mas que teve seu nome fichado e que, apos casar-se e pedir a tal cidadania, a deportaram em dois minutos. Assim, sem direito de ir para casa para pegar uma muda de roupa. Sem mais dinheiro para um telefonema. Sem dar o ultimo beijo nos filhos. Assim, sem mais nem menos.
Nao, a minha historia eh academica. Eh de sofrer na pele o fato de que a palavra Latina doi no coracao de muita gente aqui. O fato de me dizerem que estou fazendo algo ilegal, sendo que o proprio governo faz o que eu faco. O fato de que eu quero apenas ajudar e ter que escutar que nao posso pagar meus participantes porque eles nao podem me oferecer servico. Senao, isso da problema na imigracao. O fato de que eu achava que isso era somente desconhecimento de leis por parte do staff, e que com uma conversa com a diretoria isso seria resolvido. Mas o que doi, o que doi mesmo, eh pensar que talvez um amigo tenha razao: "nao… eh porque voce tinha a palavra Latina no meio da coisa. Se fosse Indiano, Japones, Chines, nao sei se a reacao seria a mesma". O fato de estar cansada de receber comentarios ironicos sobre o fato de que o Brasil eh um Pais diferente, mas de me sentir Latina mesmo assim e ter o orgulho ferido. O fato de ver o que vejo e nao poder fazer muito. O fato de que eu tive a oportunidade e minha familia teve o dinheiro para financiar o papel que diz "visto", enquanto essas pessoas que lutam muito mais do que eu nao tiveram e sao constantemente humilhadas.
E o fato de todos os dias, dia apos dia, eu me lembrar que sou Latina. E obrigada, nao quero deixar de ser.
Ai, e assim: 2007 comca com palavras sem acento e sem cedilha. Nao eh preguica nao, eh porque meu computador do submundo (ou a usuaria do computador) nao tem essas coisas chiques - aqui as palavras sao secas, sem frufrus.
Mas enfim, nao eh para reclamar da secura das palavras, ou da falta de acento, que escrevi esse post. Escrevo agora para compartir um poema que li hoje pela manha. Voce sabe, quando a gente nao consegue expressar algumas coisas com as nossas palavras, podemos pedir emprestadas aquelas frases belas que alguem jah escreveu, ne? Para que tentar escrever coisa mais ou menos se alguem jah fez melhor, e "exatamente" como voce estava pensando? Mas vou parar de falar, e vou dar espaco ao Fernando Pessoa, ou, aqui, Alberto Caeiro, no livro "O guardador de Rebanhos":
XLVI
Deste modo ou daquele modo,
Conforme calha ou nao calha,
podendo as vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever nao fosse uma cousa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma cousa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que sinto.
Procuro encostar as palavras a ideia
E nao precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras
Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento so muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato de que os homens o fizeram usar.
Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emocoes verdadeiras,
Desembrilhar-me e se eu, nao Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.
E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.
E assim escrevo, ora bem, ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer, ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acola,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.
Ainda assim, sou alguem.
Sou o Descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensacoes verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
porque trago ao Universo ele-proprio.
Isto sinto e isto escrevo
Perfeitamente sabedor e sem que nao veja
Que sao cinco horas do amanhecer
E que o sol, que ainda nao mostrou a cabeca
Por cima do muro do horizonte,
Ainda assim ja se lhe veem as pontas dos dedos
Agarrando o cima do muro
Do horizonte de montes baixos.
Então…. vim passar as férias aqui em Brasília, minha casa. Vim receber colo de mamis, papis, irmãos, vós, amigos, etc, etc etc e tal. E dar muito carinho também, né? Mas aí….
Já estou há 2 anos e meio fora. E já moro longe de pai e mãe. E já tenho amigos e namorado (Thom - esse post eu vou traduzir, tá?! rs…). E já mudei muita coisa do meu dia a dia. E já não sou só de BsB. Mas também não sou só de Logan. Sou de lá e sou de cá. Uma coisa meio assim, esquizofrênica de ser - eu gosto de umas coisas de´lá e de outras coisas de cá. Argh. São os prós e os contras de você morar na ponte aérea da vida….
Então. Não sei de nada. Esse é o meu primeiro post do meu primeiro blog. Blog esse que inventei para poder ter uma segunda maneira de me comunicar com as pessoas queridas. E com quem queira passar. E visitar. E escrever.
Ah, sei lá. Antigamente era essa coisa de diário. Tive até um (não ri não!). Com chavinha e tals. Nem sei para quê, porque eu nunca separava a chave do tal diário. Mas enfim. Ali, escrevia de tudo: minhas paixonites escondidas, minhas brigas com irmão (o menor ainda era um toco de gente, então nem tinha espaço para briga), meus sonhos, meus objetivos de vida (pode? Bem ao estilo "o que eu quero ser quando crescer", hahah). Agora a coisa é publica. Num blog. Para mim e para vocês.
Bem vindos. Não deixem de comentar. Você sabe, aquele calorzinho humano nesse mundaréu de informática é sempre bom. Umas palavras sempre dão conforto e aproximam as distâncias físicas. Mas enfim, vou deixar de falar e vou explorar isso aqui um pouco mais. Um abraço para você.
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